Odontologia esportiva: Use um protetor bucal e proteja seus dentes!

Bons tênis são fundamentais para quem pratica corrida, assim como boas luvas são para as artes marciais. Porém, um item especial e que vale para todos os esportes não recebe tanta atenção dos esportistas: o protetor bucal. Segundo a Academia Norte-Americana de Odontologia Desportiva, seu uso reduz em até 80% o risco de perdas dentárias.

Ao proteger as gengivas, mucosas e dentes, as chances de desenvolver problemas articulares na região da mandíbula, conhecidos como Disfunção da Articulação Temporo-Mandibular (ATM), além de concussões e traumas no pescoço, são bem menores. Dores de cabeça, dentes quebrados, concussões e até bruxismo podem ser evitados com o uso do equipamento.

Todos os esportes

Embora sejam associados aos esportes de impacto direto, como boxe e jiu-jitsu, os protetores bucais devem ser utilizados por todos os atletas. “Cada esporte tem diferentes graus de impacto e é isso que vai definir o tipo do protetor”, explica Eli Luis Namba, vice-presidente da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte e professor da Universidade Positivo. Segundo ele, até mesmo os fisiculturistas deveriam investir no item.

Como são feitos

Os protetores bucais são confeccionados a partir do EVA, o mesmo material emborrachado presente na sola dos tênis de corrida. Além de ser barato, funciona de acordo com os padrões internacionais. As várias camadas sobrepostas são capazes de dissipar gradativamente a intensidade dos impactos.

Espessura variada

A espessura varia de acordo com o esporte. Para modalidades de pouco contato físico, como corrida, ciclismo, futebol e voleibol, um protetor bucal de 2,4 milímetros é suficiente. Os mais espessos podem ter até 5 milímetros e são indicados para as artes marciais.

Durabilidade

Em média, a Academia Norte-Americana de Odontologia Desportiva recomenda que o protetor bucal seja trocado a cada temporada.

Apertado demais?

Durante períodos de concentração na prática de um esporte, é comum se contrair a musculatura da face. A longo prazo, esse hábito pode diminuir a força da mordida e causar desgastes nos dentes (mesmos efeitos do bruxismo noturno). Esportistas famosos, como o tenista Rafael Nadal e o jogador de futebol Cristiano Ronaldo, passaram a usar o protetor bucal para prevenir estes sintomas.

Desde 1959, pesquisadores estudam os protetores bucais. Existem duas variedades, o industrializado e o personalizado (feito pelo cirurgião-dentista).

Industrializado

Pode ser comprado em lojas de esporte e é moldado pelo próprio atleta no esquema “aquece e morde”. Embora custe mais barato, não protege bem os dentes e dificulta a respiração e a fala. Segundo as pesquisas, pode diminuir o rendimento do atleta em até 30% e, em alguns casos, deixa a mandíbula sem suporte adequado.

Individual

O protetor individual é feito no consultório odontológico. Como leva em consideração a anatomia individual do atleta, oferece mais estabilidade e proteção.

Fontes: Eli Luis Namba, professor do curso de graduação e chefe do curso de especialização de odontologia do esporte da universidade Positivo e Wilson Kenji Shirona, cirurgião dentista e professor do curso de graduação da PUCPR.”